Divertida Mente (Inside Out)

Escrito por André Nascimento

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Desde o primeiro momento em que abrimos os olhos, elas também já estavam lá!

Você já imaginou onde as nossas emoções vivem?

O que você faria se pudesse “conhecer as pequenas vozes de ‘dentro’ da sua cabeça?”

Com certeza, ter acesso aos pensamento de alguém seria MUITO divertido!

Você já parou para pensar no que pode ocorrer dentro da cabeça de alguém?

Como será que as coisas funcionam lá dentro?

Será que existe um painel de controle, com vários botões coloridos, gerenciado por nossas Emoções?

Nos primórdios de nossa infância, sentimos diversas percepções e sensações, que pouco a pouco, ganham um nome, graças aos primeiros contatos com o mundo e com a nossa família.

É assim que aprendemos sobre as emoções!

‘Dentro do cérebro’, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é a Alegria, que se esforça bastante para fazer com que tenhamos uma vida feliz.

Será que são as nossas emoções que vêem e interpretam determinadas situações e nos orientam como agir?

O que ocorre dentro da cabeça de cada um de nós, pode ser o início de uma grande Aventura!

A infância também pode ser uma etapa da vida muito divertida e repleta de descobertas!

Aprendemos a andar, a brincar, a falar, enfim, a interagir com o mundo!

Graças aos cuidados, os momentos de ausência e os ensinamentos de nosso ‘papai’ e de nossa ‘mamãe’.

Cada um desses momentos, se transformarão em MEMÓRIAS, que serão armazenadas em um lugar muito Especial. Alguns desses momentos, serão tão valiosos, que se transformarão em MEMÓRIAS BASES, impossíveis de serem apagadas.

A Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza, também irão compor cada uma de nossas MEMÓRIAS. Inclusive, as MEMÓRIAS DE LONGO PRAZO.

Ah, outra coisa muito importante! A partir de nossas vivências, construímos verdadeiras “ILHAS”, que estruturam a nossa personalidade, são partes de nós, pois são elas que ‘dizem’ quem somos.

Como por exemplo, a “ILHA DA FAMÍLIA”, a “ILHA DA AMIZADE”, a “ILHA DA HONESTIDADE”, a “ILHA DOS TROFÉUS” e a “ILHA DA BOBEIRA”.

A ILHA DA FAMÍLIA é a base de todas as demais construções. Sem esta “ILHA”, nem existiria vida.

A ILHA DA AMIZADE ganha contorno quando conseguimos construir autênticos laços afetivos e sociais.

A ILHA DA HONESTIDADE é construída quando conseguimos ser íntegros, com os outros e nós mesmos.

A ILHA DOS TROFÉUS ganha forma quando temos nossos esforços e ações apreciadas e reconhecidas por alguém.

A ILHA DA BOBEIRA surge naqueles momentos mais INSANOS da nossa infância. Fazemos caretas, palhaçadas, bobeiras, enfim, levamos a vida com graça, com leveza e na brincadeira.

Tentativas de “acionar” alguns momentos da infância podem ser em vão – a ponto, por exemplo, da ILHA DA BOBEIRA desmoronar. E com ela, algumas brincadeiras de cavalinho no colo do papai ou uma cara toda lambuzada de sorvete de chocolate podem perder a cor e caírem num abismo sem fim. Pais e filhos, sentem, então, esse “desmoronar”… Já não ocupamos mais o mesmo lugar em nossa “casa”.

Alegria, para onde ela foi?

Esse desmoronar de algumas “ilhas e cidades” construídas na infância pode ser sentido como uma ameaça… Será que podemos perder tudo? Será que perderemos o amor de nossos pais?

Esquecendo…

Naturalmente, com o passar dos anos, algumas MEMÓRIAS armazenadas não são mais RELEMBRADAS, aí elas vão perdendo a COR, empoeirando e precisam ser DESCARTADAS. Por exemplo, “quatro aulas de piano ou os nomes de cada uma das princesas de desenho, que um dia foram importantíssimas para a formação de nossa personalidade”.

“Quando não damos bola pra uma memória, desbota”.

Este momento é um tanto quanto difícil, afinal, quem quer se livrar de algo que um dia já nos fez bem? Entretanto, este ato é extremamente necessário, já que só assim haverá lugar para novas memórias.

Mas, por um ou outro motivo, algumas memórias sempre retornam.

Algumas amizades da infância também deixam de ter a força que um dia tiveram.

E por alguns segundos podemos pensar: “Isso é um horror… Adeus amizade. Olá solidão”.

A infância também é o tempo de construção dos “AMIGOS IMAGINÁRIOS”. Um Amigo Imaginário pode ser do jeitinho que nós quisermos, pois ele é uma VERDADEIRA mistura de vários elementos. Por exemplo, ele pode ser meio gato, meio elefante, fazer o barulho de um Golfinho e até chorar balas e bombons. Hmm, delícia! Com toda a certeza, ele é aquele amigo que está sempre ao seu lado, dividindo momentos, brincadeiras e até compartilhando o seu Sonho de ir em um Foguete para um “OUTRO PLANETA”.

“Meu amigo para brincar, PING PONG, no seu foguete a voar,  PING PONG, ELE SEMPRE VAI ESTAR, quando a música tocar”.

“Amigos imaginários não têm sido solicitados ultimamente”. Sabe, eles não tem sido muito relembrados…

Em algum lugar de nossa mente, algumas memórias serão fragmentadas, desconstruídas, redimensionadas e limpas.

Podemos também nos depararmos com a CIDADE DA IMAGINAÇÃO, a CIDADE DA BATATA FRITA, a CIDADE DOS TROFÉUS (onde só há campões), CIDADE DAS NUVENS. E até um CASTELO DE CARTAS.

Próxima parada, o MUNDO PRÉ-ESCOLAR.

Momentos de solidão, de perdas, de fracassos, de  acessos medo e raiva…

Lembra da CIDADE DOS TROFÉUS? Agora descobrimos que no jogo da VIDA, um dia a gente ganha e outro a gente perde.

E que o CASTELO DE BISCOITOS, que jurávamos saber onde está, também já não existe mais. Que o CASTELO DAS PRINCESAS foi destruído, e que o MUSEU DOS URSINHOS DE PELÚCIA ruiu. Pois todas essas construções da infância, caíram no esquecimento…

E não adianta vir com ALEGRIA nessas horas, pois o que sentimos é uma profunda TRISTEZA. É importante que possamos vivenciá-la, expressá-la, afinal, perdemos algo especial, que gostávamos muito, perdemos ótimos momentos, boas lembranças. Ter alguém que suporte nos escutar e nos acolher nesses momentos é importante para que possamos re-significar essas lembranças e seguir adiante.

Ninguém é feliz o tempo todo.

No meio do caminho, pode surgir o desejo de retornar ao lugar onde nos sentíamos felizes. Como, por exemplo, na cidadezinha onde nascemos e vivemos na infância. Retornar a um lugar… Será que também não tentamos retornar a esse lugar infantil, onde habitávamos, muito mais, o desejo dos nossos pais do que agora?

Afinal, quando nós éramos crianças, não haviam grandes problemas, nem preocupações, nossos pais estavam sempre por perto e tudo terminava com beijos, abraços e sorvete de chocolate!

“Afinal, tudo era PERFEITO até o pai e mãe resolverem mudar…”

… de cidade, de casa, enfim, já não somos mais os Reizinhos e as Princesas da casa, agora outros deveres e afazeres começam a surgir. Aliás, que desde sempre estavam lá, mas que como crianças que éramos, não tínhamos a menor dimensão da sua existência. Agora, papai e mamãe nem sempre estão presentes.

Nós éramos muitos mais felizes naquele tempo. Afinal, “Tudo era melhor lá, o quarto, o ar, os amigos”.

Os SONHOS trazem mensagens que pedem, muitas vezes, de forma insistente, uma leitura. Nossa PRODUÇÃO DE SONHOS  cria tramas, por meio do “filtro da realidade”, que abordam os nossos medos e desejos mais secretos: “A QUEDA NA ESCURIDÃO DO POÇO”, “POSSO VOAR” e “TEM ALGO ATRÁS DE MIM”.

Nos sonhos podem estar presente elementos de nossa realidade, emoções não expressas. Podemos, por exemplo, nos vermos em uma sala de aula, nos apresentando para a turma, sem roupas e com os dentes caindo.

“A casa caiu!”

Brócolis, o aspirador de pó da vovó, a escada que leva ao porão, um palhaço GIGANTE… São alguns dos medos que podem morar em algumas partes obscuras e sombrias de nossa mente.

Isso é interessante, pois imagina como é para uma criança que acaba de vir ao mundo entrar em contato com essa infinidade de coisas, sons, formas e sabores, sem poder – a princípio – falar, reagir ou dar um nome ao que ela vê!?

Realmente, isso tudo é muito assustador…

São aqueles que nos acolheram no mundo (nossos pais) que nos ensinarão a nomear, reagir e a lidar com os outros e, claro, com o mundo.

E de repente percebemos que aquela criancinha está GRANDONA demais para caber no foguete para ir para lua.

Podemos ter algumas atitudes impensadas, o desejo de fugir para um lugar melhor e até fazer algumas coisas que rompem com os valores ensinados pelos nossos pais. O que destruirá toda a ILHA DA HONESTIDADE.

E quando julgamos que a nossa felicidade está em perigo, numa tentativa desesperada, tendemos a deixar para trás toda a TRISTEZA.

De mocinhos passamos a vilões.

A nossa ALEGRIA fica TRISTE, já que as principais e mais importantes memórias infantis, perdem a cor. O choro é inevitável. Um momento em que somos invadidos pelas lembranças ou sensações vivenciadas no corpo lá na infância. Almejamos a felicidade. Vemos o nosso primeiro sorriso, nosso primeiro caminhar, nossas brincadeiras com os nossos pais e amigos. Tudo perdendo a cor, o brilho. Somos tomados por uma sensação estranha, está tudo vazio e frio. Somos engolidos por um buraco negro que se abre no peito, acompanhado de um nó na garganta. Nó que tenta não deixar as lembranças irem, que não deixa o choro sair, um nó que aperta, sufoca e dói. A Alegria transborda em lágrimas de dor e saudade. Como era bom ter os nossos pais por perto nos momentos difíceis e de derrotas. Como é bom sentir aquele “vai ficar tudo bem” em um abraço, daqueles bem apertado.

Com sorte, aprenderemos que para conseguirmos seguir em frente, precisamos deixar ir parte de nossa infância.

Uma PARTE nossa deve morrer para OUTRA parte sobreviver. Isso é crescer.

Tentar se livrar, por exemplo, da TRISTEZA, ou de qualquer uma de nossas outras emoções, pode ser perigoso, pois cada uma tem a sua função e a sua importância.

É chegada a hora de re-significar as “MEMÓRIAS BASES” da infância. Da Alegria a tristeza. Já não temos mais as amizades, os risos e os sorriso dos tempos de infância. Nem os repetitivos momentos de bobeira com os nossos pais, nem os momentos em que andávamos de patins em um lago congelado de mãos dadas a eles. Momentos que nos faziam sentir amados, seguros e protegidos.

Quando somos escutados e acolhidos, quando podemos expressar nossas emoções em palavras,  temos a chance de fazer o luto das lembranças, de parte de nossa infância. Re-significar. Ou seja, dar outro sentido.

Por isso, é sempre bom considerar também os sentimentos e as opiniões das crianças. Pois elas também sentem e reagem as mudanças, e com os recursos que dispõem.

Assim como os filhos, os pais também sentem as transformações que estão em curso e também podem temer as mudanças que estão por vir.

O modo como lidarão com essas mudanças irá depender de como foi para eles a travessia da infância à pré- adolescência…

Expressar a Raiva, o Nojo, a Tristeza, o Medo e a Alegria, é algo saudável. É importante para a saúde física e psíquica.

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Consequentemente, teremos a expansão e a construção de novas “ILHAS”;  como por exemplo, a “ILHA DA AMIZADE”, com sua nova sessão “DISCUSSÃO”, a “ILHA DOS VAMPIROS ROMÂNTICOS” e a “ILHA FASHION”, entre outras.

Teremos também um novo “MÓDULO DE CONTROLE” com ainda mais “botões”, “funções” e “palavrões”.

Ocorrerá uma expansão de vocabulário, Hobbies, amigos, desafios, cheiros e gostos.

E olha que engraçado, em alguns momentos, não iremos querer a constante presença dos nossos pais (principalmente se eles forem assistir a gente jogar HÓQUEI com a cara pintada de azul, vibrando e balançando bandeirolas. Que mico!).

É muito bom poder constatar que fazer o luto de parte da infância é necessário e possível. E, principalmente, que iremos sobreviver a mais essa etapa da vida.

Esses são os nossos maiores medos: Iremos sobreviver? Sobreviveremos a essa travessia? Perderemos o amor dos nossos pais?

Afinal, completamos “12 anos”. O que poderia acontecer?

Espera só quando chegar a tão famosa e temida PUBERDADE!

Xiiii….

Mas isso aí já é uma outra história.

***

FICHA TÉCNICA

  • Título Original: Inside Out
  • Realizador: Peter Docter e Ronaldo Del Carmen
  • Vozes originais: Amy Poehler, Bill Hader, Lewis Black, Mindy Kaling
  • Vozes dobradas: João Baião, Diogo Infante, Custódia Galego, Nuno Pardal, Bárbara Lurenço, Carla Garcia, Nuno Markl
  • Género: Animação, Comédia, Drama
  • NOS | 2015 | 94 min

Embarque você também nessa Aventura. Assista ao Trailer:

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SOBRE ESTE ARTIGO:

Escrito em 05 de Agosto de 2015, por André Nascimento. Inspirado no Filme Divertidamente, Pixar.


SOBRE O AUTOR/EDITOR/IDEALIZADOR DESTE BLOG:

escritos psiAndré Bassete do Nascimento. (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Consultório Particular: Praia do Suá, Vitória, Espírito Santo (ES). Contato: (27) 999617815 (Vivo). Correio Eletrônico: dreebn@gmail.com ou dreebn@yahoo.com.br

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