Temas do Cotidiano: a nova série dos Escritos Psicanalíticos, por André Nascimento

 

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EM BREVE | TEMAS DO COTIDIANO | ESCRITOS PSICANALÍTICOS | ANDRÉ NASCIMENTO

O desejo de fundar essa nova série de textos, intitulada Temas do Cotidiano*, surgiu a partir da releitura das palavras do psicanalista Sigmund Freud[1], onde ele comenta sobre o futuro da psicanálise:

Freud, ao mesmo tempo que defende a presença da Psicanálise nas instituições, demonstra também sua preocupação com o interesse superficial pela psicanálise, com o interesse que não se aprofunda, pois “a popularização leva à aceitação superficial sem estudo sério. As pessoas apenas repetem as frases que aprendem […]. Pensam compreender algo da psicanálise porque brincam com seu jargão.

Quem nunca presenciou alguém dizer: “Freud explica!”, e teve que respirar fundo e fazer “vista grossa” para tal barbaridade.

Neste sentido, vale dizer: Freud não explica (e ainda bem que não explica!), pois se o saber já estivesse dado a priori, ou seja, se o saber estivesse do lado do psicanalista, não haveria a menor possibilidade da psicanálise existir.

Freud inaugurou uma nova abordagem dos dilemas e anseios humanos, que só foi possível por causa de uma de suas pacientes, que em um dado momento de uma sessão, interrompe a fala de Freud, pede que ele se cale e escute o que ela tinha a lhe dizer.

O efeitos do ato da paciente, repercutem em Freud, e o leva a rever a sua prática clínica. E adotar uma nova postura no setting analítico:

Freud passa a retirar de cena o seu saber (construído com base em seus estudos científicos e suas vivências pessoais) e tem a difícil tarefa de conseguir suportar escutar seus pacientes. O que lhe possibilitou constatar que é o saber (inconsciente) vindo do paciente que aponta a direção e o manejo do tratamento ao analista. E não o contrário.

Infelizmente, a superficialidade que suponho que Freud tanto temia, não se restringe aos conceitos psicanalíticos.

Frequentemente, as pessoas repetem frases e/ou conceitos sem o menor pensamento ou implicação pessoal (talvez, tal fato deva-se ao fácil acesso aos conteúdos disponíveis na internet, graças aos avanços científicos e tecnológicos).

Penso que o maior desafio desta nova série seja abordar alguns temas tão caros (valiosos) a psicanálise de forma simples, sem cair em reducionismos e generalizações, tendo sempre a Ética da Psicanálise como pilar dessas publicações.

Inaugurar essa nova série é, mais uma vez, apostar nas palavras. Nutrir o desejo de que a palavra (ou sua ausência) atravesse, incomode, inquiete e desperte em cada leitor o desejo de ir mais além do que escrevo. E se assim desejar,  construa o seu próprio saber, a sua própria verdade.

Como o público alvo dos Escritos Psicanalíticos está nas redes sociais e acessa o Blog e a comunidade do blog no Facebook na maioria das vezes por aparelhos móveis como celulares e tablets, terei o cuidado de escrever, e sempre que possível, conteúdos relevantes, não excessivamente científico e, principalmente, não restritos a psicanálise, uma vez que o espaço tem um perfil de revista que se dirige também ao público em geral.

Assim como eu, espero que cada um de vocês abracem essa nova empreitada!

 

Notas de Rodapé:

[1] Freud, S. (1990). O valor da vida: uma entrevista rara de Freud. In: Souza, P. C. (Org.) Sigmund Freud e o gabinete do Dr. Lacan. São Paulo: Brasiliense.

*Curiosidade: o título dessa nova série surgiu graças a um ato falho que me ocorreu durante a leitura de um outro artigo. Onde a palavra “Tema” veio no lugar de “Tramas” do Cotidiano.

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escritos psiAndré Bassete do Nascimento (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Consultório Particular: Praia do Suá, Vitória, Espírito Santo (ES). Autor, editor e idealizador do Blog Eu Tava Aqui Pensando e Escritos Psicanalíticos. Contato: (27) 999617815 (Vivo). Correio Eletrônico: dreebn@yahoo.com.br

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