Atreva-se a ser lido pelo grande público!

Escrito por André Nascimento

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Recebi nestas últimas semanas, via Redes Sociais, uma série de textos e vídeos que abordavam, de diferentes formas,  um eixo em comum: a Rejeição.

Perceber o “fio de rejeição” que perpassava aqueles textos/vídeos despertou, ainda mais, a minha atenção. E me fez ir em busca de mais material sobre este tema.

Os frutos dessa “pesquisa”, e as elaborações que me foram possíveis, a partir do material encontrado, serão apresentados a seguir.

12 de Janeiro de 2016: surge na timeline do meu Facebook  o texto O Tinder esconde um ranking sobre quão desejável você é, que comenta sobre o funcionamento deste aplicativo para celular que está fazendo um enorme sucesso entre os usuários:

“O Tinder tem uma grande razão para ter ‘bombado’: não há espaço para sentimento de superioridade ou rejeição. Um perfil aparece. Se você curtir, deslize para a direita. Não agradou? Esquerda. Se as duas pessoas sinalizarem que gostaram do que viram, elas são notificadas e a troca de mensagens é liberada. Se não, a pessoa que te deu um fora nunca vai saber se o sentimento foi recíproco. E a vida segue como se nada tivesse acontecido”.

Fiquei um bom tempo relendo o trecho acima (o que me lembrou as palavras do artigo Não te dão tempo de ser interessante).

Não pude esconder (nem deixar de comentar) o quanto fiquei abismado com essa tentativa de excluir toda e qualquer possibilidade de rejeição (e os possíveis sentimentos que uma rejeição pode vir a provocar em alguém).

Sem dúvida, trata-se de uma falsa “sensação de imunidade à rejeição”.

Dias depois, assisti uma série de entrevistas de uma “menina” (é assim que ela própria se descreve) de 23 anos para alguns canais do YouTube.

Essa “menina” publica semanalmente vídeos em seu canal no YouTube, onde aborda diversos temas do seu cotidiano. Em pouco mais de um ano,  seus vídeos “viralizaram” na Internet. O sucesso foi tanto que, hoje, além de comerciais e entrevistas, ela realiza palestras em faculdades e programas de televisão. E tem uma média de 623. 719 pessoas inscritas no seu canal.

Todos querem saber como essa vida de vlogueira (alguém que grava e publica seus vídeos na internet) começou, e a que ela atribui a crescente visibilidade de suas postagens.

Em uma das entrevistas, relata que embora gostasse muito de escrever, nunca tornava público seus textos, por “medo das pessoas não gostarem” do que ela escrevia:

“Imagina se as pessoas vêem aquilo que a gente acha genial, e não acham genial… Como vamos lidar com essa rejeição?“, disse em uma palestra numa universidade.

Foi graças ao seu atual namorado, que lhe convenceu a “mostrar tudo que ela havia produzido”, que ela começou a gravar vídeos caseiros.

No início ela só mostrava para alguns amigos, mas depois ela decidiu torná-los públicos. Pois, uma ora é preciso “colocar a cara a tapa”. Isto é, mostrar quem somos ao mundo.

Dar esse passo parece ter sido muito difícil, já que ela “não sabia/sabe lidar com críticas“.

Pensamentos como: “o que as pessoas vão achar disso? “E se as pessoas não gostarem dos vídeos? E se ficar horrível?”, a assombravam frequentemente.

Hoje, ela ainda tem alguns receios. Fica se policiando para que esses pensamentos não ganhem força: “procuro colocar o vídeo agora e só depois pensar. Depois a gente vê o que acontece…”

Em outro momento, diz para os outros (e para si mesma): “Calma! Você não está trabalhando para angariar amor”.

Em uma dos depoimentos que deu numa universidade, é possível perceber que esta jovem “menina” está fazendo o possível para vencer seu medo de ser criticada/rejeitada: “meu namorado, meu psicólogo e eu, estamos trabalhando nisso”.

Francamente, “queria saber quem inventou esse ‘surto’ coletivo de querer (e ter que) ser aceito, amado, idolatrado e escolhido o tempo todo”¹.

Em algum momento, todos nós seremos rejeitados ou criticados. Ou, faremos isso com alguém.

Lidar com a crítica e a rejeição é um exercício diário.

Durante minha pesquisa, percebi que as pessoas buscam entender melhor “a dor da rejeição“:

“Como lidar com a rejeição? Como superar os sentimentos de rejeição? Porque a rejeição dói tanto?”.

Há quem escreva por aí, que “a pior rejeição é a dos pais”… Será!?

Outros, escrevem que “rejeição está relacionada com a fuga de ser quem se é”. Ou seja, a pessoa tem medo de se mostrar para as pessoas como ela é, talvez, por que nem ela mesma se aceite como tal.

Não tenha medo…

O medo de se expor nada mais é do que o medo de não ser amado. Porque o ser humano não suporta lidar com o ódio ou com a indiferença do outro.  É isso que nos faz adoecer…

O medo de não ser amado ou perder o amor de alguém impede que abracemos os nossos desejos.

Portanto, mostre-se!

“Atreva-se a ser lido pelo grande público!”

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escritos psiAndré Bassete do Nascimento (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Consultório Particular: Praia do Suá, Vitória, Espírito Santo (ES). Autor, editor e idealizador do Blog Eu Tava Aqui Pensando e Escritos Psicanalíticos. Contato: (27) 999617815 (Vivo). Correio Eletrônico: dreebn@yahoo.com.br

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