Epidemiologia Básica e Saúde Pública

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ESCRITOS PSICANALÍTICOS | Epidemiologia Básica e Saúde Pública | André Nascimento


Apresentação

Neste artigo, menciono o que me foi possível colher dos estudos feitos sobre Epidemiologia Básica, uma ciência fundamental para a saúde pública. E, claro, com exemplos de alguns  usos e aplicações da epidemiologia.

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O que é Epidemiologia?

A epidemiologia originou-se das observações de Hipócrates feitas há mais de 2000 anos de que fatores ambientais influenciam a ocorrência de doenças. Entretanto, foi somente no século XIX que a distribuição das doenças em grupos humanos específicos passou a ser medida em larga escala.

A epidemiologia atual é uma disciplina relativamente nova e usa métodos quantitativos para estudar a ocorrência de doenças nas populações humanas e para definir estratégias de prevenção e controle.

Sendo assim, a epidemiologia é uma ciência fundamental para a saúde pública.

Definição da epidemiologia

A palavra “epidemiologia” é derivada das palavras gregas: epi “sobre”, demos “povo” e logos “estudo”.

“O objetivo da saúde pública é promover, proteger e restaurar a saúde” (p. 04).

 

Objetivo

O principal objetivo da epidemiologia é prevenir doenças e promover saúde. Para que isso seja possível, é necessário conhecer as causas das doenças e agravos à saúde e as maneiras pelas quais podem ser modificados.

 

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Definição, área de atuação e usos da epidemiologia

A epidemiologia foi definida por Last[1] como “o estudo da distribuição e dos determinantes de estados ou eventos relacionados à saúde em populações específicas, e sua aplicação na prevenção e controle dos problemas de saúde.

Os epidemiologistas estão preocupados não somente com a incapacidade, doença ou morte, mas, também, com a melhoria dos indicadores de saúde e com maneiras de promover saúde.

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Área de atuação da epidemiologia

O alvo de um estudo epidemiológico é sempre uma população humana, que pode ser definida em termos geográficos ou outro qualquer.

Por exemplo, um grupo específico de pacientes hospitalizados ou trabalhadores de uma indústria pode constituir uma unidade de estudo.

Em geral, a população utilizada em um estudo epidemiológico é aquela localizada em uma determinada área ou país em um certo momento do tempo. Isso forma a base para definir subgrupos de acordo com o sexo, grupo etário, etnia e outros aspectos. Considerando que as estruturas populacionais variam conforme a área geográfica e o tempo, isso deve ser levado em conta nas análises epidemiológicas.

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Epidemiologia e saúde pública

Em termos gerais, saúde pública refere-se a ações coletivas visando melhorar a saúde das populações.

A epidemiologia, uma das ferramentas para melhorar a saúde pública, é utilizada de várias formas.

Os primeiros estudos epidemiológicos tinham por objetivos investigar a causa (etiologia) das doenças transmissíveis.

Tais estudos continuam sendo essenciais porque possibilitam a identificação de métodos preventivos.

Nesse sentido, a epidemiologia é uma ciência médica básica que tem por objetivo melhorar a saúde das populações, especialmente dos menos favorecidos.

Causalidade das doenças

Embora algumas doenças sejam causadas unicamente por fatores genéticos, a maioria delas resulta da interação destes com fatores ambientais.

A diabetes, por exemplo, apresenta os componentes genéticos e ambientais.

Nesse contexto, o ambiente é definido da forma mais ampla possível para permitir a inclusão de qualquer fator biológico, químico, físico, psicológico, econômico e cultural, que possa afetar a saúde.

O comportamento e o estilo de vida são de grande importância nessa conexão, e a epidemiologia é cada vez mais usada para estudar a influência e a possibilidade de intervenção preventiva através da promoção da saúde.

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História natural das doenças

A epidemiologia está, também, preocupada com a evolução e o desfecho (história natural) das doenças nos indivíduos e nos grupos populacionais.

A aplicação dos princípios e métodos epidemiológicos no manejo de problemas encontrados na prática médica com pacientes, levou ao desenvolvimento da epidemiologia clínica.

Estado de saúde das populações

A epidemiologia é frequentemente utilizada para descrever o estado de saúde de grupos populacionais.

O conhecimento da carga de doenças que subsiste na população é essencial para as autoridades em saúde.

Esse conhecimento permite melhor utilização de recursos através da identificação de programas curativos e preventivos prioritários à população.

Em algumas áreas especializadas, tais como na epidemiologia ocupacional e ambiental, a ênfase está no estudo de populações com exposições muito particulares.

A aplicação de princípios e métodos epidemiológicos na solução de problemas encontrados na prática médica com pacientes resultou no desenvolvimento da epidemiologia clínica.

Similarmente, a epidemiologia tem expandido para outros campos tais como a farmacoepidemiologia, epidemiologia molecular e a epidemiologia genética.

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Medindo saúde e doença

  • Medir saúde e doença é fundamental para a prática da epidemiologia.

  • Diversas medidas são utilizadas para caracterizar a saúde das populações.

  • O estado de saúde da população não é totalmente medido em muitas partes do mundo, e essa falta de informações constitui um grande desafio para os epidemiologistas.

Definindo saúde e doença

A mais ambiciosa definição de saúde foi a proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1948: “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a mera ausência de doença”.

Essa definição, embora criticada devido à dificuldade em definir e mensurar bem-estar, permanece sendo um ideal.

A epidemiologia concentra-se em aspectos da saúde que são relativamente fáceis de medir e prioritários à ação.

O desenvolvimento de critérios para determinar a presença de uma doença requer a definição de “normalidade” e “anormalidade”.

Entretanto, pode ser difícil definir o que é normal, e frequentemente não há uma clara distinção entre normal e anormal, especialmente quando são consideradas as variáveis contínuas com distribuição normal que podem estar associadas a diversas doenças.

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Critérios diagnósticos

Os critérios diagnósticos são frequentemente baseados nos sintomas, sinais, história clínica e resultados de testes.

Por exemplo, a hepatite pode ser identificada pela presença de anticorpos no sangue; a asbestose pode ser identificada pelos sinais e sintomas específicos de alterações pulmonares.

Definição de caso

Qualquer que seja a definição utilizada em epidemiologia, é essencial que seja claramente estabelecida, fácil de usar e padronizada nas mais variadas condições por diferentes pessoas.

Uma definição clara e concisa de caso permite medir a mesma condição em diferentes grupos ou pessoas.

As definições utilizadas na prática clínica são menos rígidas e frequentemente influenciadas pelo julgamento clínico. Isso ocorre porque na clínica é possível dar um passo de cada vez, ou seja, solicitar vários testes até que o diagnóstico seja confirmado. O mesmo não ocorre em epidemiologia.

Os critérios diagnósticos podem se modificar rapidamente em consequência do avanço do conhecimento científico ou do aperfeiçoamento de técnicas diagnósticas.

Podem ainda mudar de acordo com o contexto em que estão sendo usados.

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População em risco

Um importante fator a considerar no cálculo das medidas de ocorrência de doenças é o total de pessoas expostas, ou seja, indivíduos que podem vir a ter a doença.

Idealmente, esse número deveria incluir somente pessoas que são potencialmente suscetíveis de adquirir a doença em estudo.

As pessoas susceptíveis a determinadas doenças são chamadas de população em risco e podem ser estudadas conforme fatores demográficos, geográficos e ambientais.

Por exemplo, acidentes de trabalho só ocorrem entre pessoas que estão trabalhando. Assim, a população em risco é constituída somente por trabalhadores.

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Incidência e prevalência

Incidência indica o número de casos novos ocorridos em um certo período de tempo em uma população específica, enquanto prevalência refere-se ao número de casos (novos e velhos) encontrados em uma população definida em um determinado ponto no tempo.

 

Relação entre incidência e prevalência varia entre as doenças

Uma mesma doença pode apresentar baixa incidência e alta prevalência – como no diabetes – ou alta incidência e baixa prevalência – como no resfriado comum.

Se os casos incidentes não são resolvidos e continuam por todo o tempo, então eles tornam-se casos prevalentes.

O termo “taxa de ataque” é frequentemente utilizado, ao invés de incidência, durante uma epidemia de doença em uma população bem definida em um curto período de tempo.

A taxa de ataque pode ser calculada como o número de pessoas afetadas dividido pelo número de pessoas expostas.

Por exemplo, no caso de uma epidemia por intoxicação alimentar, a taxa de ataque é calculada para cada tipo de alimento ingerido e, então, essas taxas são comparadas para se identificar a fonte de infecção.

Taxa de incidência

A incidência refere-se à velocidade com que novos eventos ocorrem em uma determinada população, e leva em conta o período de tempo em que os indivíduos estão livres da doença, ou seja, em risco de desenvolvê-la.

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Coeficiente de mortalidade Infantil

O coeficiente (ou taxa) de mortalidade infantil é comumente utilizado como um indicador do nível de saúde de uma comunidade.

Essa taxa mede o número de óbitos durante o primeiro ano de vida, dividido pelo número de nascidos vivos no mesmo ano.

O uso do coeficiente de mortalidade infantil como medida do estado geral de saúde de uma comunidade é baseado no pressuposto de que ele é particularmente sensível a mudanças socioeconômicas e a intervenções na saúde.

Taxa de mortalidade para menores de 5 anos

A taxa de mortalidade para menores de cinco anos refere-se a óbitos ocorridos entre crianças com idades entre 1 e 4 anos; ela também é utilizada como um indicador básico de saúde.

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Bibliografia

BONITA, R; BEAGLEHOLE, R; KJELLSTROM, T. Epidemiologia Básica. 2ª Ed. São Paulo: Ed. Santos, 2013. 175p. 8.

ROUQUAYROL, MZ; ALMEIDA FILHO, N. Epidemiologia e Saúde. 6ª. ed. Rio de Janeiro: MEDSI, 2003.

[1] Last JM. A dictionary of epidemiology, 4th ed. Oxford, Oxford University Press, 2001.

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escritos psiAndré Bassete do Nascimento (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Consultório Particular: Praia do Suá, Vitória, Espírito Santo (ES). Autor, editor e idealizador do Blog Eu Tava Aqui Pensando e Escritos Psicanalíticos. Contato: (27) 999617815 (Vivo). Correio Eletrônico: dreebn@yahoo.com.br

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