A Magia dos Contos Infantis

Escrito por André Nascimento

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“Queria uma fada madrinha igual a Cinderela”, “Será que você a reconheceria? Tipo, se tivesse uma…”, “Será que tenho uma?”, “Provavelmente…”, “Minha realidade é muito nítida para tentar encontrar uma fada madrinha…”, “Fadas madrinhas também são feitas de realidade. Como apreciador da infância e dos contos infantis, não posso deixar de acreditar que elas existam. Por acaso, você já parou para pensar o que é uma fada madrinha e qual sua função? Não é difícil lembrar de algo ou alguém que apareceu em nossas vidas quando menos esperamos, e nos fez ver um ponto de luz no meio da escuridão” (André Nascimento, 16 de maio de 2015).

Os contos e personagens infantis, vez e outra, são colocados em pauta.

De um lado, temos aqueles que estimulam as crianças a se re-lançarem neste Universo Mágico e desfrutá-lo sempre que possível, se assim desejarem.

Do outro, temos pais (ou filhos já crescidos) que declaram guerra as princesas, e defendem que a realidade da vida deve ser mostrada a criança, desde cedo.

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Em Mãe, obrigada por não ter criado uma princesa, a autora menciona que “a vida tem um custo alto!”. E agradece: “Mãe, ainda bem que você não criou uma princesa… Você me criou para o mundo, e este, o mundo real, não poupa as princesas”.

Não demorou muito para aparecer gente que defende o mundo encantado das princesas.

“Incomodadas pelo excesso de textos que colocam as princesas como as vilãs do imaginário e do futuro das meninas”…

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Eis que surge Sim, sua filha pode ser princesa se ela quiser, um texto que fala que os “personagens e papéis [?] contribuem para a formação da personalidade”, pois “os contos são”, segundo as autoras, “construções simbólicas” que possuem relação com uma época e cultura específica. Resumindo: “é importante que a criança tenha seu momento princesa, dentro da fase certa”.

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Mais que defender este ou aquele lado, é fundamental colocar algumas questões:

Qual é a função dos contos infantis na vida de uma criança?

Porque essa insistência em querer despertar um certo “senso de realidade”, a uma criança que não tem outra tarefa a não ser, “ser criança”?

Porque essa dificuldade em permitir que a criança brinque, imagine, seja o príncipe, a princesa, ou qualquer outro personagem, das histórias que lhe são contadas?

Histórias que atravessam gerações…

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O que têm nos contos infantis que os tornam tão especiais a ponto de tocar as crianças (e alguns adultos)?

A magia dos contos infantis estará nas tramas, nos dilemas, nos conflitos, na imagem diante dos olhos, no tom de voz da mãe, do pai, da tia ou da avó que conta a criança um conto de sua época, uma “história da carochinha”?

Existe uma fase “certa” para alguém aventurar-se no mundo dos contos de fadas, e sair dele?

O que estará em jogo nas narrativas direcionadas ao público infantil?

Será que são os comportamentos facilmente observáveis ou descritos, ou será as entrelinhas que perpassam cada história?

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Entrelinhas que são/serão entrelaçadas e lidas com e a partir do momento atual no qual cada pessoa está passando, articulado com a história de vida de cada um.

Entende?

Não é o “conteúdo”, a “moral da história”, a “cor da pele”, o “cabelo”, ou a “atitude/comportamento” deste ou daquele personagem que importa, que fará diferença na vida de alguém…

No terreno dos contos e histórias infantis, forças conscientes e inconscientes não guerrilham, não se opõem: se articulam.

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E mais do que isso: as histórias também servem para levar Esperança para as pessoas.

Que outro fim teriam?

Precisamos acreditar em Deuses, Criaturas mágicas e Fantásticas para que possamos suportar as adversidades da vida.

Precisamos criar um mundo (só nosso) para sobreviver…

Um mundo novo, repleto de Heróis, Princesas e Fadas com poderes mágicos de cura, para que possamos curar nossas feridas e seguir o nosso próprio caminho…

 

Leia também: Dos contos, em cantos (clique para ler), um texto que  trás observações importantes a respeito dos contos e das cantigas infantis.

 

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Saiba mais

André Bassete do Nascimento (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Psicanalista. Consultório Particular. Praia do Suá, Vitória, ES — Espírito Santo. Autor, editor e idealizador do Blog A Vida e a PsicanáliseEu Tava Aqui Pensando, Sala de Espera e da Revista Eletrônica Escritos Psicanalíticos. Contate-me! (27) 999617815 (Vivo/Whatsapp). Correio Eletrônico: dreebn@yahoo.com.br

 

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