Ensaios sobre o Feminino, a nova série do Escritos Psicanalíticos

Escrito por André Nascimento

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A nova série de textos do Escritos Psicanalíticos

Desde os primórdios da psicanálise, as mulheres despertaram muitos enigmas aos médicos que se propunham a atendê-las em seus consultórios ou enfermarias.

Enigmas que colocavam, cada vez mais, desafios àqueles que estudavam e se dedicavam a curar as doenças.

Havia pacientes que apresentavam sintomas intensos no corpo, como por exemplo, paralisias, sem qualquer lesão orgânica.

Como isso era possível?

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Ora, se não havia lesão…

Como se daria a “cura” desse paciente?

Como saber qual a medicação que deveria ser administrada, se não havia nenhuma lesão no corpo que desse pistas que permitissem traçar a direção da cura?

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Constatou-se, então, que “algo” escapava do alcance do ato/discurso médico.

Ainda bem que, Sigmund Freud, na época, médico neurologista, se deixou afetar por esses enigmas, e iniciou uma jornada a fim de descobrir qual era a causa daqueles sintomas.

Por incrível que pareça, foram esses e outros enigmas que contribuíram para a teorização e a construção, do que viria a ser, a psicanálise – tal qual conhecemos hoje.

É fundamental dizer que Freud só inaugurou uma nova abordagem dos dilemas e anseios humanos, graças a uma de suas pacientes, que em um dado momento de uma sessão, interrompe a fala de Freud, pede que ele se cale e escute o que ela tinha a lhe dizer.

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Os efeitos do ato da paciente, repercutem em Freud, e o leva a rever a sua prática clínica, e a adotar uma nova postura no setting analítico:

Freud passa a retirar de cena o seu conhecimento/saber (construído com base em seus estudos científicos e suas vivências pessoais) e tem a difícil tarefa de conseguir suportar escutar os seus pacientes.

Tal atitude, possibilitou a Freud constatar que é o saber (inconsciente) vindo do paciente que aponta a direção e o manejo do tratamento ao analista. E não o contrário.

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E mais do que isso, que é este saber, construído na experiência analítica, que possibilita a erradicação de alguns sintomas. Eu disse, alguns sintomas, e não todos.

O sintoma é aquilo que o sujeito tem de mais particular.

E, tem uma dupla face: representa a causa de alguns dos sofrimentos mas, também, é a sua via de salvação.

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Por isso, a psicanálise propõe que a pessoa fale, para o sintoma falar.

Adoecemos do que não conseguimos falar.

E é no corpo, no próprio corpo, que esses sintomas eclodem.

O sintoma clama por nome, por voz, por uma leitura.

Aqui, temos uma inversão importante: Freud passa do ato/discurso médico para o ato/discurso analítico.

Eis que vemos os primeiros passos, o primeiro caminhar, da psicanálise.

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Tempos depois, o enigma do que é o feminino permanece.

O que levou Sergio André a escrever o livro “O que quer uma mulher?”, publicado pela Editora Jorge Zahar, no ano de 1998.

André também se propôs a traçar alguns comentários sobre o “Tornar-se mulher”…

O que vai ao encontro do que a escritora e filósofa francesa Simone de Beauvoir[1] diz em uma de suas obras:

“Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”.

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Hoje, sou mais um daqueles que se aventura no território enigmático do feminino.

Tal empreitada se dá, graça a algumas mulheres, para além de qualquer estereótipo ou idade cronológica que, vez e outra, trazem questões interessantíssimas para a sua análise, colocando em pauta o feminino.

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Mulheres jovens, adultas e até idosas, se vêem diante de questões como:

  1. o gozo Feminino (dão ênfase principalmente ao orgasmo, e os efeitos que este tem no corpo da mulher e em seu ser, como mulher);
  2. a primeira relação sexual (as marcas de sua primeira relação sexual, sensações, o que puderam ou não dizer sobre o ato sexual, e se tinham entendimento do que estava prestes a ocorrer – coito)
  3. o que quer uma mulher?;
  4. o que é Ser uma mulher?;
  5. como alguém torna-se mulher?;
  6. o que ela, como mulher, acredita que precisa ser ou ter para habitar o desejo de um homem;
  7.  O que têm naquele  homem “x”, que desperta o desejo de uma mulher?

Estas e outras questões, tem comparecido cada vez mais nos  consultórios de psicanálise.

Finalizo este texto, com as palavras de uma paciente, regado de entusiasmo e êxtase, ao falar sobre o amor e o toque de um homem:

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“Quando o homem ama de verdade uma mulher… O toque de um homem é capaz de despertar uma mulher… lhe dar vida!”.

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Notas

[1]  A obra mais conhecida de Simone de Beauvoir é “O segundo Sexo”.

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escritos psiAndré Bassete do Nascimento (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Consultório Particular: Praia do Suá, Vitória, Espírito Santo (ES). Autor, editor e idealizador do Blog Eu Tava Aqui Pensando e Escritos Psicanalíticos. Contato: (27) 999617815 (Vivo). Correio Eletrônico: dreebn@yahoo.com.br

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