Psicólogo, por que este medo de se mostrar? Do que você se esconde?

Escrito por André Nascimento

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Alguém, por favor, chame um médico, um padre para exorcizar essa criança ou o SAMU. Só não chame um Psicólogo! “Psicólogo é médico de doido… Eu não sou doido!”.

Parece brincadeira, né!?

Mas, ainda hoje, vez e outra, falas como essa são ditas em alto e bom tom, para quem quiser ouvir…

Quando o assunto é Psicologia, muitas pessoas verbalizam um imaginário repleto de fantasias, medos e ideais para com a figura deste profissional.

Para muitos, o Psicólogo é um Deus, um ser enigmático, detentor do saber sobre o homem. E seus traços compõem a imagem de um profissional altamente impecável: perfeito.

Obviamente, muitos profissionais que passaram pela Psicologia, como Ciência, contribuíram (e ainda contribuem) tanto para esta construção, quanto a sustentação deste ideal de perfeição.

 

História da Psicologia

Hoje, qualquer pessoa que tenha acesso a livros ou a internet sabe que, foram os filósofos gregos que deram o pontapé inicial a investigação da “mente humana”.

Tempos depois, outras áreas começaram surgir, e mostrar interesse sobre o comportamento e a mente humana.

Como sabemos, a Psicologia como ciência teve um papel importante no pós-guerra. Foi nesta época que seus métodos e testes psicológicos ganharam força, ascensão.

A Psicologia mostrou-se capaz de identificar certos traços e falhas de personalidade ou caráter, como quiser chamar.

Desenvolver e aprimorar métodos e técnicas que ajudassem a identificar as falhas e traços de caráter foi de grande valia, inclusive, para as indústrias da época, que precisavam colocar “o operário certo, no cargo certo”. Era preciso saber se o operário tinha as características e habilidades exigidas para preencher o cargo específico e, claro, dar conta do trabalho.

Neste terreno que a Psicologia se assentou.

Pouco a pouco, graças aos avanços científicos e metodológicos, a psicologia sustentou (e ainda hoje, sustenta) possuir um saber sobre a mente e o comportamento humano.

Na maioria das abordagens psicológicas, o psicólogo deve, em sua prática, que é clínica não importa o contexto no qual está inserido, abster-se do julgamento moral, de parte de sua subjetividade.

Tal postura justifica-se pela ideia de que, ao fazer isso, o paciente poderá entrar em “contato” consigo mesmo, com o seu “Self” [eu], sendo o Psicólogo o facilitador deste processo…

O que é um Psicólogo?

Se perguntarmos para algumas pessoas o que é um Psicólogo, certamente, a grande maioria irá dizer que um Psicólogo é alguém que “estuda o comportamento e a mente humana”. Já outros relatos são curiosos, alguns fantasiosos, pois colocam o Psicólogo como alguém que não tem problemas, medos ou questões a serem trabalhadas.

Para a maioria, o Psicólogo é alguém altamente equilibrado, que não sente, ou melhor, que NÃO PODE sentir (e muito menos demonstrar) raiva, ódio, medo ou fome. A menor demonstração desses sentimentos ou emoções já basta para o Psicólogo ser alvo de retaliações: “você não pode dizer/sentir esse tipo de coisa… Você é Psicólogo!”.

Afinal, o Psicólogo tem uma “imagem profissional” a zelar (lê-se sustentar). Uma imagem caricaturada que, muitos “profissionais” adotam. Uma imagem que vai além da sua aparência, que invade as suas atitudes. Alguns, sem perceber?

Escondem-se por trás de teorias, métodos, óculos, pranchetas, ternos ou jalecos. Até mesmo fora do seu ambiente, digamos, profissional…

Afinal, possuem “O” Saber.

Dizem “separar” a sua personalidade em Eu-Eu Eu-Psicológo.

Ora, até onde isso é possível?

Nota-se que não foi só a Psicologia que reforçou esse estereótipo: perfeito e equivocado. Os próprios profissionais de Psicologia, ainda hoje, sustentam esse ideal.

Poucos profissionais fogem dessa lógica. Geralmente, são aqueles insistentes e engajados em sua análise pessoal.

Psicólogo, por que este medo de se mostrar? Do que você se esconde?

 

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escritos psiAndré Bassete do Nascimento (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Consultório Particular: Praia do Suá, Vitória, Espírito Santo (ES). Autor, editor e idealizador do Blog Eu Tava Aqui Pensando e Escritos Psicanalíticos. Contato: (27) 999617815 (Vivo). Correio Eletrônico: dreebn@yahoo.com.br

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