Mulheres de véu | Dia Internacional da Mulher

Escrito por André Nascimento

RECORTES HISTÓRICOS

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A cientista social francesa Juliette Minus é considerada especialista no tema “mulher no mundo muçulmano”. Em entrevista[1] a Folha de São Paulo, Minus conta qual o significado do véu no mundo muçulmano:

“O véu não tem a mesma significação nas origens e hoje. Em quase todas as sociedades, as mulheres usaram o véu. Nos anos 40, na Europa, uma mulher que saísse sem chapéu era considerada sem honra. Precisava sair de chapéu e com luvas, esconder o cabelo e não pegar na mão de um desconhecido. O cabelo e a mão são importantes em todas as civilizações. O cabelo é um objeto sexual, e, na tradição antiga, no judaísmo as mulheres raspavam a cabeça quando se casavam. No que diz respeito à mão, tanto no judaísmo quanto no islamismo, existe a interdição do contato físico entre um homem e uma mulher que não sejam da mesma família. A história do véu é muito antiga e é provável que as mulheres não estivessem sistematicamente veladas na época de Maomé…”.

Outro ponto interessante desta mesma entrevista, é quando Minus esclarece alguns versículos do Alcorão ou Corão (livro Sagrado do Islã):

“O Corão diz que tanto o homem quanto a mulher devem ser punidos quando se comportarem mal e diz ainda que os homens e as mulheres são iguais diante de Deus, ou seja, quando mortos. Porém também diz que o homem tem preeminência sobre a mulher ou que ele é superior e a mulher lhe deve obediência como ele deve obediência a Deus“.

Nota-se como as crenças e o discurso religioso atravessam e servem como base, para construções do que é ser homem e o que é ser mulher, além de ter um papel de organizar uma sociedade, demarcar uma hierarquia, o lugar e o papel de cada um. Evidentemente, com o passar do tempo, tais ideias ancoradas no discurso religioso tem sofrido uma série de modificações.

O trabalho feminino em questão

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Como a burguesia e os trabalhadores encaravam o trabalho feminino no século XIX? O texto que você lerá agora trata desse tema no contexto das grandes transformações ocorridas na Europa durante o processo de industrialização.

“No começo da década de 40, para tomar apenas um exemplo, o receio da burguesia quanto ao emprego de mulheres em ofícios incompatíveis com sua natureza manifestou-se com relação ao trabalho feminino nas minas. Já estava bem assente que uma burguesa que trabalhasse para ganhar dinheiro não era feminina. No caso das mulheres pobres, as normas eram um pouco diferente.

As mulheres podia ter um ofício, se fosse um prolongamento de seu papel feminino “natural”. Não se considerava inconveniente que as empregadas domésticas limpassem, cozinhassem e cuidassem das crianças. O ofício de costureira ou modista também era compatível,  da mesma forma que as profissões ligadas à alimentação. Mas certos ofícios executados por mulheres eram considerados totalmente incompatíveis com a natureza delas, principalmente se fossem exercidos num ambiente misto.

Uma mulher trabalhando em subterrâneos era a negação mais categórica da concepção de feminilidade sustentada pelos evangélicos. (…) Além do mais, estas mulheres trabalhavam ao lado dos homens, sem estarem inteiramente vestidas como deveriam. Era uma afronta à moral pública, que ameaçava de ruína a família operária. Lançou-se uma campanha inspirada pelos evangélicos, para proibir que as mulheres trabalhassem nas minas.

Os mineiros aprovaram a proibição, mas não pelas mesmas razões da burguesia. (…) Os mineiros recusavam-se a aceitar que a burguesia ditasse normas sobre a maneira como deveriam organizar sua vida familiar. (…) O que reivindicavam era uma melhoria na vida de suas esposas e filhas, e observavam que, se as mulheres dos donos das minas podiam ficar em casa, isso também devia valer para as suas.

Mas os mineiros tinham outro motivo para concordar com a eliminação dos empregos femininos. (…). Como dizia Miner’s Advocate (Defensor dos Mineiros, jornal operário), o sindicato se opunha firmemente ao emprego das mulheres desde a sua fundação. O trabalho feminino era visto como uma ameaça para o setor, pois a presença das mulheres mantinha o baixo nível dos salários[2].

Como é possível notar, questões relacionadas a economia, crenças, integridade da mulher e da família, etc. estão intimamente entrelaçados com  a “natureza” da mulher, o “papel feminino” de uma mulher e a “concepção de feminilidade“, de um contexto social específico. Era assim que a sociedade daquela época, organizava-se.

Podemos aprender muito com esses recortes históricos. E mais do que isso: talvez, seja interessante relançar cada um destes pontos e, quem sabe, construir um saber novo, sobre O que é Ser Mulher, hoje?

Preciso abrir um parênteses neste ponto para dizer que é lamentável ver pessoas pegarem conceitos e referenciais atuais para avaliar épocas anteriores e afirmar que o comportamento do homem ou da sociedade de determinada época era “machista”, “discriminador”, “dominante”, “repressor”, “preconceituoso”, “errado”, “cruel”, entre outros termos. Adotar este posicionamento é um grande equívoco. Naquela época era assim que a sociedade se organizava, era assim que a sociedade funcionava, era assim que o discurso privado-social se sustentava. Tudo isso foi importante e teve o seu valor por um longo tempo. Definitivamente, não podemos desprezar esse fato.

Ainda hoje, há uma enxurrada de literaturas e trabalhos acadêmicos de má qualidade, alguns disponíveis na internet, que utilizam de concepções atuais para denegrir atitudes do homem ou da sociedade antiga ao abordar, por exemplo, a história da mulher no mercado de trabalho. Devemos ter cautela em nossa avaliação para não cairmos na cilada de acreditar que nossa sociedade atual é a correta e desprezar tudo que já foi vivido, e hoje é revisto, reavaliado. Certamente, muitas atitudes, visão de mundo e comportamentos de nossa sociedade atual também serão revistos e modificados num futuro próximo.

A inserção da mulher no mercado de trabalho

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Vimos, anteriormente, que a presença da mulher em espaços habitados apenas por homens, por exemplo, nas minas, atravessavam e, progressivamente, modificaram o modo de funcionamento das sociedades anteriores, além de esbarrar questões econômicas, religiosas, morais e constituintes e estruturais, do ponto de vista psicológico.

A inserção das mulheres no mercado trabalho também foi impulsionada pela Primeira e Segunda Guerra Mundial. Afinal, os homens estavam nos campos, nas frentes de batalha e as mulheres passaram a assumir cada vez mais as atividades do lar e os pequenos comércios.

A incorporação da mulher no mercado de trabalho acentuou-se no fim do século passado, entre as décadas de 20 e 70, e acompanhou o progresso industrial e urbano. Evidentemente, este avanço feminino só foi possível pois algo na organização social, modificou-se.

O Movimento Feminista

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No artigo Feminismo, História e PoderFeminismo, História e Poder  [3], Céli Regina Jardim Pinto, aborda a história do Feminismo, um movimento que produz sua própria reflexão crítica, sua própria teoria. Veremos, a seguir, alguns recortes.

“Ao longo da história ocidental sempre houve mulheres (sufragetes, como ficaram conhecidas) que se rebelaram contra sua condição, que lutaram por liberdade e muitas vezes pagaram com suas próprias vidas. A Inquisição da Igreja Católica foi implacável com qualquer mulher que desafiasse os princípios por ela pregados como dogmas insofismáveis. Mas a chamada primeira onda do feminismo aconteceu a partir das últimas décadas do século XIX , quando as mulheres, primeiro na Inglaterra, organizaram-se para lutar por seus direitos, sendo que o primeiro deles que se popularizou foi o direito ao voto[4]“.

“No Brasil, a primeira onda do feminismo também se manifestou mais publicamente por meio do voto. Ainda nesta primeira onda do feminismo no Brasil, vale chamar a atenção para o movimento das operárias de ideologia anarquista, reunidas na “União das Costureiras, Chapeleiras e Classes Anexas”. Em manifesto de 1917, proclamam: “Se refletirdes um momento vereis quão dolorida é a situação da mulher nas fábricas, nas oficinas, constantemente, amesquinhadas por seres repelentes”[5]. Este feminismo inicial, tanto na Europa e nos Estados Unidos como no Brasil, perdeu força a partir da década de 1930 e só aparecerá novamente, com importância, na década de 1960. No decorrer destes trinta anos um livro marcará as mulheres e será fundamental para a nova onda do feminismo: O segundo sexo, de Simone de Beauvoir, publicado pela primeira vez em 1949. Nele, Beauvoir estabelece uma das máximas do feminismo: “não se nasce mulher, se torna mulher”.

“Em meio a esta efervescência, Betty Friedan lança em 1963 o livro que seria uma espécie de “bíblia” do novo feminismo: A mística feminina. Durante a década, na Europa e nos Estados Unidos, o movimento feminista surge com toda a força, e as mulheres pela primeira vez falam diretamente sobre a questão das relações de poder entre homens e mulheres. O feminismo aparece como um movimento libertário, que não quer só espaço para a mulher – no trabalho, na vida pública, na educação –, mas que luta, sim, por uma nova forma de relacionamento entre homens e mulheres, em que esta última tenha liberdade e autonomia para decidir sobre sua vida e seu corpo. Aponta, e isto é o que há de mais original no movimento, que existe uma outra forma de dominação – além da clássica dominação de classe –, a dominação do homem sobre a mulher – e que uma não pode ser representada pela outra, já que cada uma tem suas características próprias”.

“Foi no ambiente do regime militar e muito limitado pelas condições que o país vivia na época, que aconteceram as primeiras manifestações feministas no Brasil na década de 1970. O regime militar via com grande desconfiança qualquer manifestação de feministas, por entendê-las como política e moralmente perigosas. Em 1975, na I Conferência Internacional da Mulher, no México, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou os próximos dez anos como a década da mulher. No Brasil, aconteceu, naquele ano, uma semana de debates sob o título “O papel e o comportamento da mulher na realidade brasileira”, com o patrocínio do Centro de Informações da ONU. No mesmo ano, Terezinha Zerbini lançou o Movimento Feminino pela Anistia, que terá papel muito relevante na luta pela anistia, que ocorreu em 1979”.

Enquanto as mulheres no Brasil organizavam as primeiras manifestações, as exiladas, principalmente em Paris, entravam em contato com o feminismo europeu e começavam a reunir-se, apesar da grande oposição dos homens exilados, seus companheiros na maioria, que viam o feminismo como um desvio na luta pelo fim da ditadura e pelo socialismo. Carta Política, lançada pelo Círculo da Mulher em Paris, em 1976 dá uma medida muito boa da difícil situação em que estas mulheres encontravam-se: “Ninguém melhor que o oprimido está habilitado a lutar contra a sua opressão. Somente nós mulheres organizadas autonomamente podemos estar na vanguarda dessa luta, levantando nossas reivindicações e problemas específicos. Nosso objetivo ao defender a organização independente das mulheres não é separar, dividir, diferenciar nossas lutas das lutas que conjuntamente homens e mulheres travam pela destruição de todas as relações de dominação da sociedade capitalista”[6].

“Com a redemocratização dos anos 1980, o feminismo no Brasil entra em uma fase de grande efervescência na luta pelos direitos das mulheres: há inúmeros grupos e coletivos em todas as regiões tratando de uma gama muito ampla de temas – violência, sexualidade, direito ao trabalho, igualdade no casamento, direito à terra, direito à saúde materno-infantil, luta contra o racismo, opções sexuais. Estes grupos organizavam-se, algumas vezes, muito próximos dos movimentos populares de mulheres, que estavam nos bairros pobres e favelas, lutando por educação, saneamento, habitação e saúde, fortemente influenciados pelas Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica. Este encontro foi muito importante para os dois lados: o movimento feminista brasileiro, apesar de ter origens na classe média intelectualizada, teve uma interface com as classes populares, o que provocou novas percepções, discursos e ações em ambos os lados”.

“Uma das mais significativas vitórias do feminismo brasileiro foi a criação do Conselho Nacional da Condição da Mulher (CNDM), em 1984, que, tendo sua secretária com status de ministro, promoveu junto com importantes grupos – como o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), de Brasília – uma campanha nacional para a inclusão dos direitos das mulheres na nova carta constitucional. Do esforço resultou que a Constituição de 1988 é uma das que mais garante direitos para a mulher no mundo. O CNDM perdeu completamente a importância com os governos de Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso. No primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foi criada a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, com status de ministério, e foi recriado o Conselho, com características mais próximas do que ele havia sido originalmente”.

“Ainda na última década do século XX, o movimento sofreu, seguindo uma tendência mais geral, um processo de profissionalização, por meio da criação de Organizações Não-Governamentais (ONGs), focadas, principalmente, na intervenção junto ao Estado, a fim de aprovar medidas protetoras para as mulheres e de buscar espaços para a sua maior participação política. Uma das questões centrais dessa época era a luta contra [as diversas violências praticadas contra a mulher], principalmente a violência doméstica. Além das Delegacias Especiais da Mulher, espalhadas pelo país, a maior conquista foi a Lei Maria da Penha (Lei n. 11 340, de 7 de agosto de 2006), que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher”

Uma mulher no Planalto Brasileiro
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Pela primeira vez na história política do Brasil, assistimos, em 2010, o país ser presidido por uma mulher: a mineira Dilma Vana Rousseff, 62 anos, foi eleita president(a) da República!

Apesar de ser a primeira presidente mulher do Brasil, Dilma Rousseff (PT) não foi  quem inaugurou uma tradição ao ocupar um cargo tipicamente masculino. A História é plena de exemplos de mulheres chefes de Estado, inclusive na própria América Latina”, entre elas: Margaret Thatcher (Reino Unido – 1979), Johanna Sigurdardottir (Islândia – 2009) e Mary Robinson (Irlanda – 1990 a 1997).

(Conheça as mulheres que já ocuparam o cargo de Presidente)

Mais um fato histórico que foi assunto em várias canais e mídias sociais, e que colocou, mais uma vez, em cheque as capacidades femininas, além de reforçar a ideia de “poder feminino”… 

Eu sou Malala

“A todas as garotas que enfrentaram a injustiça e foram silenciadas. Juntas seremos ouvidas” (Malala Yousafzai)

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Em 2012, somos apresentados à história da paquistanesa Malala Yousafzai, que foi baleada pelo Talibã, por defender o direito das meninas à educação.

A comovente história da menina resultou em um livro, publicado pela Companhia das Letras, intitulado “Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã” e, posteriormente, um filme: “Malala: uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo“, dirigido por Davis Guggenheim, e lançado no Brasil em Novembro de 2015.

O engajamento de Malala fez com que ela se tornasse, aos 17 anos, a pessoa mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, em 2014.

Um Mundo sem Limite

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Mudanças e transformações sociais articuladas com a vida privada, produzem uma série de efeitos em nossa sociedade.

No decorrer da Modernidade, alguns movimentos e revoluções históricas provocaram intensos questionamentos que vieram produzir um anseio pela liberdade, pela felicidade e pela individualidade. Dentre eles, podemos destacar: o Movimento Renascentista, o Movimento Iluminista, a Revolução Francesa e as Revoluções Industriais.

Pouco a pouco, a Modernidade foi sofreu uma reconfiguração no que tange seus antigos valores fixos, ritos e hábitos sociais ― característicos das sociedades unicentradas, graças a seu lado instável, individualista, “crísico” e eminentemente crítico, chegando à nossa atual organização social.  Evidentemente, muitos “resquícios modernos” foram incorporados à sociedade e a vida do homem pós-moderno.

As rupturas e permanências históricas, resultantes da modernidade, modificaram todo o contexto de nossa sociedade ― agora, ultraliberal ― cujas as características são pautadas no exibicionismo, na cultura do narcisismo, no discurso capitalista e no discurso da ciência, que nos impele a consumir a qualquer preço e sem limites.

Em meio a todos os eventos e transformações assistimos o crescimento do sistema neoliberal ― uma outra forma de pensar a ideologia capitalista ― e uma tendência hedonista, cujo imperativo é: é preciso ter, se satisfazer e se gratificar, à qualquer preço (Araújo, 2010).

A ascensão do discurso científico gerou a dessubjetivação do homem de seu discurso, inaugurando a eliminação da categoria do impossível e a perda de uma relação espontânea com o mundo ― a criação do telescópio por Galileu e a ida do homem à lua, exemplificam essa nova categoria. Esse discurso se organiza em torno de uma lógica totalizante que busca dar conta de tudo, a tal ponto que pode vir a ser um risco à subjetividade, a enunciação e a particularidade.

Terreno fértil para a propagação do Sistema Neoliberal e seu aforismo “Tudo é Possível!” ― nascido dos avanços das técnicas e da ciência modernas ― que se torna o traço que caracteriza o homem e nossa sociedade pós-moderna, na medida em que estamos realizando coisas que todas as épocas consideraram como prerrogativa exclusiva da ação divina. Um aforismo que além de alterar todo o funcionamento social, pretende permitir ao homem pós-moderno ― agora, sem gravidade ― a gozar a qualquer preço.

A crença da Onipotência

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Hoje, vemos se propagar o que nomeei aqui de “a crença da onipotência”. “Crença” na falta de uma palavra melhor. Uma problemática que atravessa diversas classes sociais, faixas etárias, e permeiam tanto a vida do homem quanto da mulher. São sujeito que se crêem possuir total poder sobre si mesmos. Vemos surgir movimentos que ditam regras: “meu corpo, minha lei”. Sujeitos que, acreditam que podem fundar-se, autoreferenciar-se, não necessitando de qualquer outra instância terceira para auxiliá-los nesta tarefa. Um discurso que é construído, articulado e amarrado pelo laço social e pela vida privada. Cada vez mais, é propagada a crença de que podemos ser e realizar tudo que o desejarmos, na hora que quisermos. Entretanto, há sim uma margem de liberdade que pode e deve ser aproveitada, quando possível.

Muitos estudos tem sido realizados, publicações de diversos autores e campos sobre esta “mutação no laço social”, como discorre Dufour, em  seu livro A arte de reduzir as cabeças: a nova servidão da sociedade ultraliberal.

Sem dúvida, as mulheres avançaram, e muito, conquistaram um lugar social sequer imaginado na história da civilização. Esta luta não foi fácil, muitas mulheres foram mortas, outras ficaram pelo caminho. E outras continuam, dia após dia, lutando pelos ideias que acreditam e por seu País — como fez a paquistanesa Malala. Já outras, passam a assumir posições que eram, exclusivamente, masculinas, como a president(a) do Brasil, Dilma RousseffE ainda há uma outra parcela que se dedica exclusivamente ao trabalho no lar, ao cuidado dos filhos. Este é um fato que altera, novamente, a organização social. Alguns de seus efeitos já estão sendo constatados, outros ainda necessitam de tempo: por exemplo, hoje, já é possível uma mãe, completamente sozinha, designar seu projeto de ter um filho, para fazer seu rastro, para indicar seu caminho. Antigamente, era comum as mulheres desejarem ter um filho como resultado do encontro com um homem, geralmente, com o homem no qual amavam. Hoje, esse desejo encontra-se, digamos, mais “diluído”, as mulheres passaram a recorrer a outros métodos contraceptivos e recursos para poderem gerar ou ter um filho — a inseminação artificial, aos bancos de espermas, barrigas de aluguel — para suprir sua demanda de ser mãe, com ou sem o amor de um homem, com ou sem um parceiro, ou seja, sem estar referenciado ao Pai. Evidentemente, isso terá conseqüências na vida das crianças geradas nestas condições: talvez, algumas positivas, outras negativas.

Dia Internacional da Mulher

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Se você deseja saber Quando começou a ser comemorado o Dia Internacional da Mulher? Quando começou a luta das mulheres por sua libertação? Qual é a influência do movimento socialista na luta das mulheres? E o 8 de Março, como nasceu? A data teve origem a partir do quê? Onde?  Basta acessar: O Dia da Mulher nasceu das mulheres socialistas (artigo em PDF).

Recentemente, fui surpreendido com o slogan utilizado por um Shopping Center, no Estado do Espírito Santo, na melhor das intenções (?) para homenagear o Dia Internacional da Mulher (08 de Março), que dizia: “Mulher, você pode tudo!”.

Frase que resume muito bem o que foi trabalhado anteriormente em “Um mundo sem Limites” e “A crença da Onipotência”. Neste, caso a crença da onipotência feminina.

Será que a mulher, realmente, pode tudo?

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Certamente, estamos diante de um movimento que busca, à todo custo, como na pintura A Primavera, do pintor renascentista Sandro Botticelli, “afastar as nuvens”. Um discurso social tecido com as linhas do privado que tenta mascarar a falta que possibilita a vida humana. Entretanto, por ser um véu, ao mesmo tempo que vela (oculta), desvela (descobre) e aponta para a verdade:

Mulher, você também não pode tudo!

  

Referências Bibliográficas

Dufour, D-R. (2005). A arte de reduzir as cabeças: a nova servidão da sociedade ultraliberal. Companhia de Freud: Rio de Janeiro.

Jean-Pierre Lebrun. (2004). Um mundo sem limite: ensaio para uma clínica psicanalítica do social. Companhia de Freud: Rio de Janeiro.

Pinto, C. R. J. (2010). Feminismo, História e Poder. Dissiê. Revista de Sociologia e Política V. 18, Nº 36: 15-23 JUN. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v18n36/03.

Melman, C. e Lebrun, J-P. (2008). O homem sem gravidade: gozar a qualquer preço. Companhia de Freud: Rio de Janeiro.

 Notas de Rodapé

[1] Os fragmentos desta entrevista foram retirados do livro História Global: Brasil e Geral  — volume única | Gilberto Cotrim — 6 ed. reform. – São Paulo: Saraiva, 2002. Você também pode ter acesso a entrevista original em: Betty Milan. As mulheres de véu. Folha de São Paulo. São Paulo. 6 jan. 2002, Caderno Mais. pp. 14-5.

[2] Catherine Hall. Sweet Home. Em: Georges Duby, org. História da vida privada. São Paulo, Cia. das Letras, 1991, v. 4, p. 81-2. Você também pode ter acesso ao texto original em História Moderna e Contemporânea. Alceu L. Pazzinato e Maria Helena V. Senise. Editora Ática: São Paulo, 2002, 14ª ed, p. 189.

[3] Pinto, C. R. J. (2010). Feminismo, História e Poder. Dissiê. Revista de Sociologia e Política V. 18, Nº 36: 15-23 JUN. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v18n36/03.pdf

[4] O direito ao voto foi conquistado no Reino Unido em 1918.

[5] Pinto, C. 2003. Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Fundação Perseu Abramo.

[6]  Pinto, C. 2003. Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Fundação Perseu Abramo.

Festa das Patroas

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escritos psiAndré Bassete do Nascimento (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Consultório Particular: Praia do Suá, Vitória, Espírito Santo (ES). Autor, editor e idealizador do Blog Eu Tava Aqui Pensando e Escritos Psicanalíticos. Contato: (27) 999617815 (Vivo). Correio Eletrônico: dreebn@yahoo.com.br

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