O preço de uma análise

Escrito por André Nascimento

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Tudo começa quando a maneira como se responde aos dilemas, anseios e desafios da vida, por um motivo ou outro, se torna ineficaz.

Tudo ia “de vento em popa”, você estava bem – obrigado – mas, no decorrer do dia, é tomado por uma forte “dor de cabeça”. Isso se repete constantemente.

Você trabalha muito para levar o pão de cada dia à mesa da sua família mas o seu nível de “estresse” está cada vez mais alto, devido as tarefas que você – e só você – tem que executar no trabalho. E você não sabe mais o que fazer para o estresse diminuir…

Logo, você fica com “insônia”, pois está muito cansado”, e não para de pensar nos problemas, nas contas que tem que pagar…”.

Por vezes, você se sente sem “identidade”“perdido”, em busca de uma direção, de alguém que te ajude a encontrar um caminho…

Você está sobrecarregado” com as tarefas do trabalho e, ao chegar em casa, ainda tem que brincar com os filhos, passear com o cachorro ou lidar com os problemas familiares.

Entre um Rivotril e outro, você faz de tudo para pegar no sono” mas, nem sempre funciona… Bem vindo ao mundo real!

Esta é a realidade – e por quê não dizer, rotina – de muitas pessoas – ou famílias – de nossa atual sociedade ocidental.

Mas, há algo que está para todo humano: um mal-estar. Palavra pequena, é verdade, mas que trás um GRANDE desconforto.

Desculpe estragar a ilusão de muitos, mas há um mal-estar inerente à vontade humana. Há um mal-estar inerente à condição humana. Há um mal-estar que precisamos aprender a conviver diariamente.

Este mal-estar, que ronda e habita cada ser humano, comparece de diversas formas em nossa rotina, em forma de sintomas. Sua essência transformante, vai de uma simples “dor de cabeça” ao “estresse”, entre outros.

Embora duas pessoas apresentem os mesmos sintomas, sofram aparentemente de um mesmo mal, nenhuma pessoa é igual à outra. Todavia, todo humano tem um ponto em comum: querer livrar-se, às vezes, à qualquer custo, de sEu mal-estar.

O que quero sublinhar com as palavras ditas acima é: todo humano possui (por ausência de palavra melhor) um mal-estar do qual quer se ver livre!

E cada um vai lidar com esse mal-estar da maneira que puder, com os recursos que tiver “em mãos”.

A boa notícia é que é possível, sim, aprender a lidar com o (próprio) mal-estar. A notícia ruim, é justamente essa, se digo “aprender a lidar”, é porque não é possível se livrar, de uma vez por todas, desse mal.

Moral da história: lidar com o mal-estar não é tarefa fácil, mas é possível.

É quando um “recurso” que, até então, sempre funcionou, passa a não funcionar mais, que esse mal-estar se intensifica. Por exemplo, você começa a fazer uso de bebidas alcoólicas para “relaxar” ou “desestressar”. Entretanto, conforme o grau de estresse ou cansaço aumenta, a tendência é aumentar a quantidade de bebida alcoólica ingerida para se conseguir uma similar sensação de “alívio” e “bem-estar”, que se tinha anteriormente com doses menores.

O organismo humano tem uma forte capacidade de “adaptação”, o que o torna “tolerante” à quantidade de bebida alcoólica que estava sendo, anteriormente, ingerida. Logo, para se ter um efeito similar ao inicial, será preciso aumentar a dosagem de álcool ingerida.

Em termos simples: quanto mais estresse ou cansaço, ingere-se mais bebida alcoólica. Quanto menos estresse ou cansaço, ingere-se menos bebida alcoólica.

Vemos neste exemplo em específico que, o “recurso” a ser utilizado é a bebida alcoólica, a fim de promover um alívio ao cansaço e o estresse, que são formas desse mal-estar comparecer, se fazer presente. Um mal-estar que é atravessado, é claro, por uma série de fatores, que não cabe aqui listar.

Existem várias vias para se lidar com um mal-estar, mas quero abordar aqui a via de uma psicanálise. Isto é, de uma análise pessoal ou experiência psicanalítica – como quiser chamar.

Quando alguma coisa na nossa vida se agrava, tendemos a ir em busca de alguém que nos dê explicações para o que pode estar acontecendo. No geral, queremos nos livrar do mal-estar e “voltar a sermos o que éramos antes”. Correto!?

Se for um caso de saúde, provavelmente, procuraremos um médico, algum especialista.

Mas ninguém precisa sofrer de um GRANDE MAL, ter uma síndrome, ou ser louco para procurar por um psicanalista.

Alguns, mais astutos, conseguem “sacar” rapidamente que algo está fora dos trilhos. E logo nos primeiros encontros, são capazes de dizer: “Algo não vai bem na minha vida, não caminha…”. O que lhes permitem formular uma questão central: por que a minha vida não está caminhando da forma que eu desejo? ou, ainda, O que está me impedindo de caminhar?

Busca-se por um psicanalista, depois que todos os outros profissionais do campo da saúde, depois que todos os métodos, testes ou técnicas, fadaram ao fracasso. Busca-se por um psicanalista quando o sofrimento chegou ao seu auge. Busca-se por um psicanalista quando toda força, toda fé, está por um fio.

Mas, há sempre aqueles que, corajosos que são, insistem, e batem na porta do consultório de um psicanalista, pois sabem que há algo em suas histórias de vida que precisa ser re-visto.

Afinal, o que é uma análise senão tornar visível o seu próprio mundo?

A grande maioria das pessoas querem mudar a própria vida mas poucas estão dispostas a pagar o preço da mudança.

Porque essa relutância em pagar por uma análise?

Aventurar-se numa análise custa caro porque o processo é demorado e você precisa investir seu precioso e suado dinheiro. Aliás, dinheiro este que você trabalhou muito para conquistar…

Aventurar-se numa análise custa caro pois, por vezes, precisaremos nos posicionar, “dar à cara a tapa” e fazer escolhas, se quisermos avançar. E escolher, entre outras coisas, significa “abrir mão de…”, perder algo para, posteriormente, ganhar, conquistar outras coisas. Outras vezes, temos que abrir mão de nossa posição no mundo, da maneira como atuávamos em nossas cenas, em nossos dramas pessoais, profissionais, familiares. E abrir mão de parte do nosso eu, custa caro! Por vezes, é sofrido, dolorido. Mas, é a única maneira que conquistar um pouco mais de liberdade. Afinal, como costumo dizer, às vezes, não podemos mudar as cartas do nosso baralho, mas podemos aprender a jogar de outra maneira, com as mesmas cartas. E isso já é muito! Talvez, algo semelhante há: “antes eu jogava para ganhar, agora eu jogo para me divertir…”.

Sim. Fazer uma análise é como cortar uma cebola. Aos poucos, vamos retirando camada por camada, mas não é sem choro. É avançar semanas em uma única sessão ou recuar anos em uma outra. É manejar diferentes tempos, momentos, lembranças, enigmas. Pois o tempo é lógico. Trabalha-se com o tempo de cada um!

Aventurar-se numa análise é Caro mas é uma experiência de um Valor inestimável.

Pagar por uma análise é, antes de tudo, responsabilizar-se por sua própria vida.

Fazer uma análise é passar por uma experiência que te possibilita escutar a si mesmo. Fazer uma análise é entrar em contato com a sua própria verdade (inconsciente), para com ela construir um saber novo, um saber que ninguém será capaz de lhe tirar, algo nunca visto por você antes. Fazer uma análise é, acima de tudo, defrontar-se com o seu próprio desejo, fazer jus a ele, sustentá-lo!

Descobrir o seu real Valor… Valorizar o seu próprio saber, a sua própria experiência, a sua própria história de vida!

Por isso, não tenha medo. É preciso lançar-se nessa aventura, caminhar em terrenos desconhecidos, repleto de “monstros” que tiram o nosso sono, “seres fantásticos” que aguçam a nossa curiosidade e “criaturas mágicas” que nos dão Esperança para seguir adiante. É preciso estar disposto a, literalmente, “pagar para ver!”. Sentir na pele os efeitos dessa experiência: íntima, singular. E, se for preciso, entregar-se a sua própria insanidade.

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Conheça-me!

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Saiba mais

André Bassete do Nascimento (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Consultório Particular. Praia do Suá, Vitória, ES — Espírito Santo. Autor, editor e idealizador do Blog Eu Tava Aqui Pensando, Escritos Psicanalíticos e A Vida e a Psicanálise. Contate-me! (27) 999617815 (Vivo/Whatsapp). Correio Eletrônico: dreebn@yahoo.com.br

 

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