Alaska: tragédias da vida

Escrito por André Nascimento

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Há momentos na vida em que o caos transborda. Os sentimentos rompem as represas que os continham. As palavras não dão conta de traduzir o que sentimos.

Há momentos na vida que os suspiro está carregado, que o corpo está cansado e que a esperança está por um fio.

Há momentos na vida que o vazio nos engole, que não vemos “a luz no fim do túnel” ou “a corda que vai nos tirar do fundo do poço”.

Às vezes, a vida é uma tormenta.

E o vazio que existe em você ganha toda a força que ele pode ter. Uma força que te supera. Uma força maior que a sua vontade de viver. Uma força maior que todos os sentimentos de bondade e gratidão.

Mas o humano tem essa “mania” tola de achar que virá alguém curar as suas dores, acender a luz da estrada escura que ele próprio caminha, trazer a tão sonhada felicidade.

Mas, a vida não é assim (embora muita gente gostaria que fosse).

Às vezes, quando você precisa muito de uma palavra, a vida te dá um enorme silêncio.

Às vezes, quando você precisa de um abraço forte, daqueles que diminui as dores e cicatriza as feridas, a vida te joga no Alaska, sem roupas de frio ou cobertor. Você está completamente sozinho.

Às vezes, quando você precisa de um beijo, mesmo sem poder definir e dizer o porquê de tamanha necessidade, a vida te responde com um ENORME vazio.

Viver é difícil.

Por vezes, a vida nos dá uma rasteira. E a gente cai com tanta força no chão, que demoramos dias para levantar.

Por vezes, os machucados são tantos, que a gente nem consegue erguer a cabeça e caminhar.

Por vezes, a vida nos tira pessoas que amamos. Pessoas que, se dependesse de nós, ficariam para sempre em nossa vidas. E não há nada, nada que você possa fazer para que elas permaneçam. Não há nada que você possa fazer para driblar a força da vida ou da morte. Só lhe resta aceitar. Aceitar que terminou. Aceitar o fim. Aceitar a morte: seja ela real ou simbólica. E seguir adiante…

Viver é difícil. Há coisas que não estão ao nosso alcance.

Por vezes, temos que deixar morrer momentos, sentimentos e lembranças.

Por vezes, a saudade cresce. Cresce tanto que ou ela transborda em lágrimas ou te sufoca na forma de lembranças fantasmas.

Por vezes, temos que matar pessoas dentro da gente. Pessoas que não estão mais ao nosso lado pois, por um motivo ou outro, decidiram seguir adiante. Decidiram seguir adiante sem você…

E – por Deus! – como é difícil soltar! E como é difícil deixar ir!

E quando você percebe, está carregando um monte de coisas e pessoas mortas. E quando você cai em si, percebe que está carregando o seu “Eu” morto. Aquele “Eu” que até alguns anos, meses ou dias atrás te definiam tão bem.

E você sabe que precisa fazer o luto das ilusões, dos momentos, das pessoas, das amizades, dos amores, das emoções, dos medos, da infância e dos pais. Você sabe que precisa, de um vez por todas, enterrá-los! Para conseguir seguir adiante…

Mas, como deixar para trás algo que um dia já te fez tão bem? Como deixar para trás pessoas e momentos que já te despertaram um riso fácil? Como deixar ir toda a vida que você tinha antes se hoje você ainda não construiu nada no lugar?

Não conheço um humano que nunca viveu alguns minutos de saudade intensa.

Você já sentiu o desejo de entrar no mar, nadar, nadar e nadar até perder o fôlego e naufragar? E de ir na BR e se jogar embaixo de um carro?

Às vezes, nem precisa de tanto. Pois, mesmo com os pés no asfalto, mesmo caminhando no centro da cidade, você já naufragou faz tempo, você já morreu faz tempo. E ninguém percebeu.

Nem sempre conseguimos evitar que coisas ruins (nos) aconteçam. Nem sempre conseguimos acreditar que o amanhã será melhor que ontem. Nem sempre conseguimos fugir, ou aceitar, as tragédias da vida.

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Saiba mais

André Bassete do Nascimento (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Psicanalista. Consultório Particular. Praia do Suá, Vitória, ES — Espírito Santo. Autor, editor e idealizador do Blog A Vida e a PsicanáliseEu Tava Aqui Pensando, Sala de Espera e da Revista Eletrônica Escritos Psicanalíticos. Contate-me! (27) 999617815 (Vivo/Whatsapp). Correio Eletrônico: dreebn@yahoo.com.br

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