Pense (em crise), sim! Trabalhe, sim!

Escrito por André Nascimento

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Vivemos um tempo de trevas para os ditos “Pensadores”.

Um tempo de “caça às bruxas”, onde busca-se eliminar de cena, cada vez mais, a valiosa habilidade de pensar, exclusivamente humana.

Mas, permita-me trazer um fato importantíssimo de algumas décadas atrás:

Um dos grandes dramas do processo da Revolução Industrial foi a alienação do trabalhador em relação à sua atividade. Ao contrário do artesão da Antiguidade ou da Idade Média, o operário moderno perdeu o controle do conjunto da produção. Passou a ser responsável por apenas uma parte do ciclo produtivo de uma mercadoria, ignorando os procedimentos técnicos envolvidos. Além disso, recebendo “salário” em troca da atividade mecânica realizada, o operário alienava o fruto de seu trabalho ao capitalismo, transformando-o em mercadoria sujeita ao mercado (Vicentino e Dorigo, 2008).

As mulheres também foram integradas ao mercado de trabalho, no qual exigia-se rapidez. Nem imagine que era possível sonhar com outra coisa enquanto se trabalha, muito menos refletir. Não. O trágico dessa situação é que o trabalho é maquinal demais para fornecer assunto ao pensamento, e, além disso, impede qualquer outro pensamento. Pensar é ir menos depressa; ora, há normas de rapidez estabelecidas por burocracias sem piedade e que é preciso cumprir, para não ser despedido (Simone, 1979).

Ora, mas, espera aí… Não era um fato lá de trás? Os tempo são outros agora. Certamente. A roda da vida girou mais de 10 mil vezes. E como…

Pois é! Qualquer semelhança com o que vivemos HOJE, não é mera coincidência.

Atualmente, têm sido espalhados por diversas cidades do Brasil Outdoors com a frase dita por Michel Temer: “Não pense em crise. Trabalhe!”. Obviamente, uma jogada estratégica para não deixar a máquina do capitalismo perder sua força e cair a sua produção. Afinal, como já foi mencionado: “pensar é ir menos depressa”.

O Capitalismo, graças a sua essência transformante, agora apresenta-se como um Ultraliberalismo, o que resultou numa mutação do laço social importante: saímos de uma sociedade organizada pelo discurso religioso, para uma sociedade gerenciada pelo discurso ultraliberal, cujo aforismo é TUDO É POSSÍVEL! A nova ordem é consumir, tudo e todos, inclusive a nós mesmos, e Sem Limites! Efeitos que podem ser visto no campo social, nas relações familiares, nos relacionamentos interpessoais e, claro, nos consultórios dos psicanalistas.

É preciso lembrar, também, que saímos do estatuto de cidadãos, para o de consumidores.

Por isso, pense, sim! Mesmo na crise! Esta é a única forma de poder criar outros rumos para a nossa sociedade, para nossas próprias vidas, para a vida de nossos filhos. E trabalhe, sim! E sempre que for preciso. Afinal, dinheiro não cai do céu. Não é mesmo!?

Mas, isso não que dizer que devermos deixar de refletir.

Situações e conflitos julgados, à primeira vista, como desagradáveis, podem ser excelentes oportunidades de crescimento, tanto a nível pessoal, quanto a nível institucional. Por isso, devemos refletir, mais do que nunca, sobre nossas condutas, ideais, concepções, preconceitos, carreiras, política de nosso País, mercado de trabalho, etc.

Todo bom psicanalista que se preze, nestas circunstâncias, não poderia dizer nada menos que:

Na crise, crise! Uma letra pode fazer toda a diferença!

 

Referências Bibliográficas

Simone, W. (1979). A condição operária e outros estudos sobre a opressão. Paz e terra: Rio de Janeiro. pp. 68-96.

Vicentino, C. e Doringo, G. (2008). História para o Ensino Médio: História Geral e do Brasil. Ed Atual. Scipione: São Paulo.

 

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Conheça-me!

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Saiba mais

André Bassete do Nascimento (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Psicanalista. Consultório Particular. Praia do Suá, Vitória, ES — Espírito Santo. Autor, editor e idealizador do Blog A Vida e a PsicanáliseEu Tava Aqui Pensando, Sala de Espera e da Revista Eletrônica Escritos Psicanalíticos. Contate-me! (27) 999617815 (Vivo/Whatsapp). Correio Eletrônico: dreebn@yahoo.com.br

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