A arte de deixar ir…

Escrito por Denise Carvalho

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Nem sempre um relacionamento acaba assim que chega ao fim. Parece algo controverso, eu sei. Mas na prática funciona assim. A gente precisa deixar alguém ir, mesmo que essa pessoa já tenha partido há algum tempo.

Não é fácil se livrar do dia para a noite de uma parte do outro que ficou em nós e mais difícil do que isso é abrir mão daquele pedaço da gente que parece pertencer mais ao que passou do que ao que sobrou.

Entretanto, difícil ou não, são esses os primeiros passos que damos para seguir em frente e poder direcionar toda a força que mantem o outro vivo para tentar enterrá-lo de vez.

É preciso entender que remoer lembranças não tem o poder de trazer ninguém de volta, mas é capaz de transformar o tempo em pó, ao ponto em que aceitamos viver um presente em meio à ausência de nós mesmos. Tentar transformar a saudade em nostalgia e assim, trazer à tona as memórias dos momentos juntos com carinho e não com uma dor impossível de ser superada.

Compreender que sentir a falta de alguém diz mais a respeito de como costumamos lidar com nossas perdas do que com a ausência de quem já não é mais rotina. E que encontrar culpados é só a coisa mais fácil a fazer nesses casos e a que temporariamente estanca melhor os ferimentos, mas que o que pode realmente curá-los é aceitar que ninguém tem culpa pelo que deu errado.

Infelizmente (ou não) somos incapazes de esquecer alguém. Ninguém sofre de amnésia pós-término e não é isso que precisamos fazer. O segredo nesses casos não consiste em apagar memórias, mas em ressignificá-las. Entender que cada história é exatamente o que tem que ser e sentir gratidão por todo o aprendizado que ela trouxer.

Quando alguém está se afogando e começa a se debater, só afunda cada vez mais. E é assim metaforicamente também. Lutar contra fatos não é capaz de muda-los, mas pode deixar nosso coração exausto a ponto de sucumbir à mágoas e ressentimentos.

E sofrer em vão uma hora cansa. Principalmente quando nossas mãos estão atadas e não há mais nada que possamos fazer para transformar passado em futuro. Nesses casos é mais sábio lutar pela nossa própria felicidade e torcer para que alguém com quem já fomos felizes um dia, seja genuinamente feliz também, ao seu modo. Afinal, ver o outro como um ser capaz de dar amor, mesmo depois de tudo o que passou, já é a maior prova de que vivemos realmente valeu a pena.

Enfim, deixar alguém partir não significa abrir a porta ou comprar para tal uma passagem só de ida. Nem falar da boca pra fora que quem já foi tão importante já não tem mais importância.

Não se trata de permissão. É questão de aceitação.

Deixar o outro ir não muda em nada a vida dele, mas transforma totalmente a nossa. Permitir que alguém fique como uma sombra, ocupa um espaço que pouco a pouco começa a fazer falta. E sabe, o coração também obedece aquela lei da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo.

Por esse motivo e porque enxergamos que amarmos quem somos é o equivalente a não querermos viver presos a algo que nunca mais vai voltar é que abrimos mão de um sentimento que não serve mais pra nada, além de nos fazer sofrer. Só assim é que podemos enfim, “preenchermos”, [por um certo tempo] o que ficou vazio e voltarmos a morar dentro de nós mesmos.

Notas de Rodapé

Este texto foi retirado integralmente do site Denise Carvalho. Escrito por Denise Carvalho, em 04 de Maio de 2016.

 

Leia também: Relações amorosas, (auto)sabotagem e saídas possíveis de conflitos.

 

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André Bassete do Nascimento (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Psicanalista. Consultório Particular. Praia do Suá, Vitória, ES — Espírito Santo. Autor, editor e idealizador do Blog A Vida e a PsicanáliseEu Tava Aqui Pensando, Sala de Espera e da Revista Eletrônica Escritos Psicanalíticos. Contate-me! (27) 999617815 (Vivo/Whatsapp). Correio Eletrônico: dreebn@yahoo.com.br

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