O Amor nos tempos do Wi-fi

Escrito por Denise Carvalho

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Foi-se o tempo em que jogar para esquerda e para a direita dizia respeito a uma coreografia de axé dos anos 90 e não a um método para conhecer pessoas.

A dinâmica é simples. Tudo o que você precisa é ter um Smartphone com conexão à internet e a mágica está feita. Aplicativos que oferecem pessoas em formato de um punhado de fotos e uma descrição de poucos caracteres.

Essa facilidade pode ser vista como superficialidade para alguns. E de fato é, já que todos nós somos bem mais do que aquilo que mostramos online. Entretanto, qual a diferença entre conhecer alguém assim e em uma balada, por exemplo? O que atrai em primeiro lugar não é a aparência? Ou você já chegou em alguém porque tinha cara de quem teria um bom papo, interesses em comum e um diploma de PhD?

Se pararmos para pensar, as pessoas que usam o Tinder, o Grindr e afins são as mesmas que nos rodeiam em bares, livrarias, ruas, trabalho, etc. Não existe uma terceira dimensão com seres exclusivamente criados para dar match com você. Ou seja, conhecer alguém em um app, não quer dizer nada além do fato de que você e essa pessoa usam o mesmo recurso e foram combinadas por uma série de algoritmos.

Sejamos honestos com nós mesmos. Se substituímos uma ligação para o delivery pelo iFood, a espera na fila do caixa pelo Internet Banking e ainda assim continua sendo a mesma pizza ou o mesmo banco, o que nos leva a acreditar que nos aplicativos de relacionamento não são as mesmas pessoas? Aliás, o que faz com que nos esqueçamos de que elas de fato são pessoas?

Pense nas mensagens não respondidas ou nas enviadas com o intuito de ofender. No descombinar sem motivos ou nos diálogos e encontros que nunca vão acontecer, pelo simples fato de você ter transformado um ser humano em um número. Seria diferente se você encontrasse essa pessoa na fila da padaria? Por que dessa forma ela teria mais valor?

É claro que nem tudo são flores. Esse tipo de serviço nos traz uma falsa ideia de proximidade e de intimidade. É preciso esforço para transformar o raso em profundo, mas nada que não tenha que existir também em uma relação que comece de qualquer outra forma.

Portanto, o problema não está no “Tinder”, está na forma como ele é utilizado. Em como limitamos as nossas possibilidades, quando categorizamos as pessoas em para namorar e para transar, para ter algo passageiro e para viver um relacionamento duradouro, para dividir a tal pizza e para compartilhar as coisas da vida.

É aquela coisa: se organizar direitinho todo mundo transa… Todo mundo namora, todo mundo ama. Afinal, se o amor está no ar, significa que ele pode ser aspirado quando você cruzar com seu futuro par em um semáforo ou transmitido através das ondas do wi-fi, por que não?

Notas de Rodapé

Este texto foi retirado integralmente do site Denise Carvalho. Escrito por Denise Carvalho, em 16 de Maio de 2016.

 

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André Bassete do Nascimento (André Nascimento). Psicólogo. CRP 16/4290. Psicanalista. Consultório Particular. Praia do Suá, Vitória, ES — Espírito Santo. Autor, editor e idealizador do Blog A Vida e a PsicanáliseEu Tava Aqui Pensando, Sala de Espera e da Revista Eletrônica Escritos Psicanalíticos. Contate-me! (27) 999617815 (Vivo/Whatsapp). Correio Eletrônico: dreebn@yahoo.com.br

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